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António Costa alerta para riscos de um governo com “mãos atadas”


O secretário-geral do PS afastou hoje fantasmas de maioria absoluta, dizendo que não há executivos de mãos livres na democracia portuguesa, mas avisou para os riscos de um governo com mãos atadas.

Os avisos foram deixados por António Costa no tradicional almoço da Trindade, em que estiveram presentes figuras de referência dos socialistas, como o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, e o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

Numa intervenção em que tinha perto de si o ministro das Finanças, Mário Centeno, assim como o presidente do PS, Carlos César, a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, António Costa recusou a tese de que em democracia existam governos “com as mãos livres”.

“Felizmente, em democracia, podemos contar com o escrutínio de uma comunicação social livre, podemos contar com uma justiça independente, podemos com a fiscalização de uma Assembleia da República plural e com um Presidente da República com competências próprias e sempre atento. Não há governos com mãos livres, mas também não há governos com mãos atadas”, disse.

António Costa advertiu mesmo que esta “é uma questão central” nas eleições de este domingo.

“A questão é saber se ficamos com as mãos atadas, ou com a força e a capacidade necessária para cumprir o programa com que nos apresentamos aos portugueses. É preciso um governo de legislatura e não um governo de prazo contado só para os próximos dois anos”, declarou, recebendo uma prolongada ovação.

O secretário-geral do PS traçou depois uma linha de demarcação entre o PS e as forças à sua direita, mas também em relação aos partidos à esquerda dos socialistas.

“Precisamos de um governo que seja capaz de ouvir, seja capaz de negociar e chegar a acordo, mas também seja capaz de dizer não sempre que for necessário dizer não em nome do interesse nacional”, declarou.

António Costa referiu-se a si próprio para se diferenciar face aos partidos à esquerda e à direita do PS.

“Os portugueses sabem que comigo e com o PS não haverá radicalismos, mas sabem também que comigo e com o PS não voltaremos a andar para trás nos resultados que conquistámos ao longo dos últimos quatro anos”, frisou.