PS quer ouvir Joana Marques Vidal na Comissão de Inquérito de Tancos


O Grupo Parlamentar do Partido Socialista já entregou a lista de personalidades que quer ouvir na Comissão de Inquérito ao furto de Tancos. Entre as dezenas de pessoas está a anterior procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

No requerimento enviado ao presidente da Comissão de Inquérito, o coordenador dos socialistas, Ascenso Simões, propõe uma lista extensa de personalidades, como por exemplo os ex-ministros da Defesa Aguiar-Branco e Azeredo Lopes, e respetivos chefes de gabinete desde janeiro de 2014 até hoje.

Os chefes do Estado-Maior do Exército do mesmo período – Carlos Jerónimo, Rovisco Duarte e Nunes da Fonseca – e do Estado-Maior General das Forças Armadas – general Pina Monteiro e almirante Silva Ribeiro – serão também chamados.

O PS quer ouvir ainda o antigo juiz militar e ex-diretor da Judiciária Militar, coronel Gil Prata, o anterior diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), Luís Vieira, e o ex-porta-voz da PJM, Vasco Brazão. Também os atuais responsáveis, Paulo Isabel e Donato Hélder, serão chamados.

Da lista dos socialistas constam os chefes das equipas de investigação da Polícia Judiciária que tratam dos processos de Tancos.

Os comandantes da unidade onde ocorreu o furto, os comandantes das Forças Terrestres e os comandantes da Logística do Exército, também desde janeiro de 2014, o anterior e o atual Comandante-Geral da GNR, a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, e a secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa, Graça Mira Gomes, e o seu antecessor, Júlio Pereira, são as outras personalidades que o PS quer ouvir na Comissão de Inquérito.

O primeiro-ministro, António Costa, responderá por escrito. Segundo o regime dos inquéritos parlamentares, o Presidente da República, os antigos Presidentes da República, o presidente e ex-presidentes da Assembleia da República, tal como o primeiro-ministro e ex-primeiros-ministros gozam de uma prerrogativa que permite que, se preferirem, podem remeter à comissão, no prazo de dez dias a partir do momento em que forem notificados, de uma “declaração sob compromisso de honra, relatando o que sabem sobre os factos indicados”.

Ascenso Simões propõe ainda que a Comissão de Inquérito solicite os processos disciplinares que o Exército instaurou a vários militares responsáveis pela vigilância dos paióis de Tancos. Todos os documentos do Exército relativos à segurança dos paióis, bem como a documentação existente no Ministério da Defesa Nacional sobre tudo o que se refere a Tancos posterior a janeiro de 2014 foram requeridos.

O Partido Socialista quer ainda acesso a todas as gravações das audições na Assembleia da República sobre o processo de Tancos e a todos os documentos “que não estejam classificados ou não tenham sido considerados em segredo de justiça”.

A Comissão de Inquérito ao furto de material militar dos paióis de Tancos iniciou os trabalhos a 14 de novembro.