António Costa: Cimeira bilateral será de continuidade


O primeiro-ministro português, António Costa, considerou que a cimeira luso-espanhola de quarta-feira será “de continuidade” e que as relações entre Portugal e Espanha têm sido marcadas “pela excelência”.

António Costa respondia a uma pergunta sobre a cimeira que decorrerá em Valladolid (Espanha), no decurso de uma entrevista à agência Lusa que será divulgada na íntegra na próxima quinta-feira.

“As relações entre Portugal e Espanha sempre estiveram acima da composição partidária de cada governo e têm sido marcadas pela excelência ao longo dos últimos 40 anos das duas democracias”, disse o primeiro-ministro, sublinhando que “foi assim quando os governos eram de direita ou socialistas, tendo sido mais habitual até um desencontro de maiorias”.

Para António Costa, a próxima cimeira será em “grande medida” de continuidade da anterior: “em Vila Real no ano passado decidimos elaborar em conjunto uma estratégia de desenvolvimento transfronteiriço para apresentarmos à União Europeia”, disse.

Agora, os dois governos vão designar a “equipa técnica que irá construir essa estratégia”, avançou.

Todos os outros domínios serão também marcados pela continuidade, avançou, “naturalmente com o impulso próprio que novos intérpretes dão necessariamente às políticas que são seguidas”.

A questão da central nuclear de Almaraz também não deverá conhecer novos debates, segundo António Costa. O primeiro-ministro português lembrou que o novo governo de Espanha acaba de assumir uma nova posição sobre a sua política nuclear, tendo anunciado o encerramento das centrais nucleares mais antigas, entre as quais se inclui a de Almaraz.

António Costa confessou ainda que teve “uma excelente relação” com o anterior governo espanhol, presidido por Mariano Rajoy, tal como mantém com o atual governo de Pedro Sánchez, de quem é “amigo e camarada”.

A 30.ª cimeira bilateral luso-espanhola decorre em Valhadolid, sendo a primeira em que estará presente o atual chefe do executivo espanhol, Pedro Sánchez.

O encontro começa às 16:30 (15:30 em Lisboa) com os membros do Governo português liderados por António Costa a serem recebidos com honras militares na Plaza de San Pablo da capital da Comunidade Autónoma de Castela e Leão.

Os dois executivos vão ainda tirar a habitual fotografia de família na fachada da igreja de San Pablo, antes de se iniciarem uma série de reuniões de trabalho em que cada ministro se vai reunir, de forma bilateral, com o respetivo homólogo, sendo o encontro mais importante o dos dois chefes de Governo, António Costa e Pedro Sánchez.

Na cimeira estarão nove ministros portugueses: Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva; Administração Interna, Eduardo Cabrita; Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira; Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor; da Educação, Tiago Brandão Rodrigues; Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva; Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques; Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes; Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos.

Às 18:15 (17:15 em Lisboa) haverá uma reunião plenária, com a presença de todos os ministros, e às 19:05 serão assinados vários acordos, não tendo a lista desses compromissos sido ainda divulgada.

António Costa indicou na semana passada que as políticas de desenvolvimento das regiões pobres que ficam nas zonas da fronteira dos dois países serão os temas a tratar na reunião.