“Se os 170 quilómetros de faixas de proteção tivessem construídos há cinco anos, certamente que o risco teria sido menor”


António Costa insistiu na ideia de que “esta zona estava desde o início sinalizada como zona de risco prioritário”, tendo sido essa aliás a razão pela qual a visitou no início de junho. “Reforçámos os meios no terreno antes de a ocorrência ter ocorrido”.

Além do mais, “foi feito um trabalho de prevenção junto das povoações e na construção de faixas primárias” – cuja extensão foi, segundo garantiu, duplicada. Só que “é evidente que não se faz num ano em que não se fez em dez”. “Se os 170 quilómetros de faixas de proteção tivessem construídos há cinco anos, certamente que o risco teria sido menor”. Agora, acrescentou, “é necessário investir em ainda mais prevenção” porque um “fogo quando é agarrado à nascença é fácil de controlar mas se ganha maiores dimensões é muito difícil de dominar”.

Ainda sobre o capítulo da prevenção, reforçou: “No início do ano, falavam-nos em excesso de esforço para pressionar proprietários em fazer limpeza. Agora perguntam se não foi de menos. Se esse esforço não tivesse sido feito no inverno passado, o risco seria maior.”

António Costa disse ainda que os principais agentes políticos do país se entenderam desta vez em não acorrerem “em excesso” aos centros de comando do combate aos incêndios. Agora, com o fogo dominado, isso já é possível, e ele próprio se “organizou” com o Presidente da República para irem a Monchique, numa agenda coordenada: amanhã o chefe do Estado irá ao local.

O chefe do Governo recusou, por outro lado, falar em estimativa de prejuízos, acrescentando que os apoios a dar à reconstrução das zonas atingidas só serão definidos depois de um balanço do que foi efetivamente atingido. “Dez milhões de euros de prejuízos? Vamos reunir com presidentes de Câmara e fazer avaliação.”

MAI vai investigar combate ao incêndio

O Ministério da Administração Interna vai abrir um inquérito à forma como foi combatido o incêndio de Monchique, já considerado dominado.

O anúncio foi feito há momentos pelo primeiro-ministro, António Costa, na sua primeira visita à zona do fogo. António Costa recordou que o MP e a PJ estão também a investigar eventuais origens criminosas e que a própria Autoridade Nacional de Proteção Civil tem mecanismos internos de avaliação do seu trabalho.

Quanto às razões pelas quais este incêndio ganhou a dimensão que ganhou – uma semana ininterrupta de chamas -, o chefe do Governo recusou-a a alimentar “especulações”. “Pessoas a especular já há muitas, não me compete ser treinador de bancada, compete-me ser primeiro-ministro.” “O Ministério da Administração Interna abre sempre um inquérito relativamente a estas situações”, disse.

Para o primeiro-ministro, foi “extraordinário ninguém ter morrido”. Isso terá acontecido porque a “prioridade” dos que combateram o fogo foi “a salvaguarda das vidas humanas”.

Nesse contexto, a GNR desempenhou uma missão “muito delicada e muito difícil” de obrigar as pessoas a deixar as suas habitações e os seus pertences. “As pessoas têm grande apego às casas” mas estas “são reparáveis” e “as vidas humanas são irreparáveis”. “Perante a gravidade dos incêndios, com ‘n’ aldeias, populações e casas ameaçadas, foi muito importante não ter havido perdas de vidas humanas. Também tentámos proteger os animais”, assegurou o chefe do Governo.