Opinião: Lisboa abre as portas ao futuro


Lisboa vai ser, a partir da próxima segunda-feira, a capital mundial da tecnologia, inovação e criatividade. Durante quatro dias, mais de 50 mil empreendedores, 2500 jornalistas e 2000 investidores dos quatro cantos do mundo vão marcar presença na Web Summit.

O efeito económico na cidade, incluindo restauração e hotelaria, está calculado em 200 milhões de euros. O maior valor, contudo, será o que formos capazes de extrair da atenção mundial gerada e da capacidade de atrair e reter o talento que vai estar de olhos postos em Lisboa.

A Web Summit é um empurrão significativo à dinâmica empreendedora e inovadora que tem marcado Lisboa nos últimos anos. Graças a uma estratégia clara, o trabalho desenvolvido nos últimos anos pelo Ecossistema Empreendedor de Lisboa e a Startup Lisboa tem produzido resultados. Num período de económica, entre 2008 e 2015, a constituição de empresas em setores intensivos em conhecimento e tecnologia cresceu a uma média de 5,4% ao ano.

Só no ano passado, abriram portas em Lisboa 310 empresas em setores como farmacêutica, programação informática, consultoria ou cinema. Nos últimos três anos, estas startups conseguiram levantar 180 milhões de euros e empregar mais de 5000 pessoas.

A Web Summit será avaliada pelo que deixará em Lisboa e Portugal quando encerrar, mas, para que isso aconteça, é preciso criar as fundações para atrair o investimento e o capital humano necessários. A renovação do espaço da antiga Manutenção Militar, no Beato, como um centro para empresas criativas e digitais é o próximo passo para aumentar a atração de Lisboa. Será um dos maiores espaços europeus destinados a startups, devendo empregar entre 3000 a 5000 pessoas.

Mais e melhor emprego qualificado, dinamização do comércio local e reforço do transporte público com ligação a uma rede ciclável. O efeito será o maior plano de requalificação urbana da parte oriental da cidade depois da Expo ‘98. Um plano que não se esgota na Manutenção Militar, mas que abre este espaço esquecido ao bairro e à cidade.

A Web Summit e a continuação do trabalho dos últimos anos, agora com o reforço do Hub Criativo do Beato, é a garantia que Lisboa continuará a ser uma cidade industrial. Das indústrias do século XXI.

A primeira pedra da nova Feira

Primeiro na praça de Espanha, depois em Entrecampos, a Feira Popular fez e faz parte do imaginário de Lisboa. Infelizmente, em 2004, a cidade ficou privada da Feira sem qualquer alternativa para a sua localização ou estudo para a melhoria do seu funcionamento.

Amanhã, 3 de novembro, Lisboa começa a pagar a dívida histórica que tem para com as crianças e jovens, que da Feira apenas conhecem histórias dos mais velhos. Amanhã, em Carnide, começa a ser construída a nova casa da Feira de sempre. Depois de anos de estudo e de dúvidas, as obras vão mesmo avançar. Primeiro com as necessárias demolições, depois com a construção das acessibilidades e finalmente com a execução do parque verde e dos espaços de lazer.

Ao todo vão ser 20 hectares, um espaço cinco vezes maior do que o existente em Entrecampos. A Nova Feira assenta num conceito novo para um tempo igualmente novo: com os melhores equipamentos e divertimentos para as famílias, mais espaços verdes e lugares de estacionamento. Tudo com o mesmo espírito aberto e popular de sempre. Vai valer a pena.

Portugal Ibero-Americano

Realizou-se no passado fim de semana mais uma Cimeira Ibero-Americana, desta vez na Colômbia. Ali percebemos que seremos tanto mais fortes no continente europeu quanto mais abertos estivermos ao resto do mundo com o qual temos uma história e uma identidade em comum. É também esse o sentido do projeto Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura 2017.

(in Correio da Manhã)