Opinião: Revolução digital? Isto é consigo


A partir de junho de 2017, os cidadãos europeus que usarem o serviço de voz, palavras ou dados entre países na União Europeia, de acordo com o seu padrão habitual de consumo, não pagarão mais por isso.

O fim do roaming é apenas a ponta do iceberg de uma revolução digital que está a acontecer no mundo e na União Europeia em particular.

Com as novas plataformas tecnológicas de quinta geração, o mundo ficará mapeado virtualmente e cada um de nós será um dos pontos do novo mapa: um ponto inativo se formos excluídos ou nos deixarmos excluir; um ponto passivo se formos apenas utilizadores e consumidores; ou um ponto ativo se interagirmos na evolução da sociedade que está a emergir.

Milhões de empregos serão destruídos nas novas cadeias produtivas flexíveis e tecnologicamente otimizadas. Ao mesmo tempo, milhões de empregos serão gerados na conceção dos novos modelos, na análise de dados, no desenvolvimento duma nova geração de sistemas produtivos de bens e serviços. As políticas públicas e as nossas escolhas têm de privilegiar a atualização de competências para captarem os novos empregos.

Novas oportunidades surgirão no domínio dos dados e dos conhecimentos, tornando mais eficaz o acesso aos bens e serviços essenciais, designadamente a melhores serviços de saúde, apoio social, justiça ou segurança. Em contrapartida, é necessária vontade política e capacitação social para assegurar o direito de acesso universal aos novos serviços, o direito de propriedade intelectual e o direito à privacidade.

Muitos outros serão os impactos da revolução em curso, mas bastam os exemplos esboçados para tornar clara a necessidade de uma nova agenda política e de mobilização das pessoas para a participação ativa.

Uma agenda que privilegie a educação e a qualificação para os novos desafios, que aposte na acessibilidade generalizada às infraestruturas, aos equipamentos e aos serviços de interesse geral e que assegure a transparência nos procedimentos baseados em dados e informação obtida a partir dos indivíduos e das suas ações.

É para esta revolução que vos quero convocar. As relações económicas e sociais serão reconfiguradas. Este é o momento de intervir para que essa reconfiguração melhore a vida das pessoas e a sustentabilidade do planeta.E seja boa para a sua vida também. A revolução digital é consigo e a sua ação em concreto é fundamental.

Como eurodeputado, tenho feito a minha parte. Entre outras funções, fui relator do programa que permite às administrações públicas trabalharem em rede (interoperabilidade) e do regulamento que permitirá que os cidadãos europeus possam aceder a serviços e conteúdos online por eles contratados no espaço da UE (portabilidade), e sou relator-sombra do plano de ação para o Governo Eletrónico – EU 2020.

Mas este é um desafio coletivo. No dia em que assinalamos a implantação da República em Portugal, reitero o desafio. Vamos à luta por um mundo melhor, colocando a revolução digital ao serviço desta causa.

(in Jornal I)