Opinião: O PS como ele é


Nada de novo. Os primeiros indícios do ano político revelam que nada mudou na Direita, que continua a apostar no medo como forma de fazer política, mesmo que se contradiga de forma grosseira. Atente-se que o Governo, que até há uns dias era acusado de “despesista” e “irrealista” por exagerar na dose ou no ritmo da devolução de rendimentos às famílias portuguesas é, agora, acusado – pela mesma Direita que foi responsável pelo maior saque fiscal da história da democracia portuguesa – de ser uma espécie de “salteador” da classe média.

Até podia ter graça, não fosse revelador do estado de desorientação que grassa na Direita e, em particular, no PSD. O pretexto para esta nova ofensiva, imagine-se (!), seria uma proposta (que ainda não existe, mas isso é apenas um pormenor para mentes mais criativas e impacientes) semelhante à que o seu líder – Passos Coelho, ele mesmo – defendeu no Congresso do PSD em 2014! No seu esforço parapatético (não confundir com peripatético…) de “bolchevizar” o Partido Socialista, a Direita esquece-se que o PS é o partido da classe média em Portugal, a quem o rótulo “radical” só é aplicável na defesa da democracia e da liberdade, como o demonstrou sempre que foi necessário.

Expliquemos, a essa Direita sem referências nem memória, quem é o PS:

O PS é democrata radical, no sentido em que entende que não há alternativas para a democracia. É um partido que cultiva a liberdade, a autonomia, a descentralização, a iniciativa, a criatividade, a celebração da diversidade e da diferença.

O PS é um partido progressista, favorável à criação e à distribuição da riqueza, no quadro de uma economia de mercado.

O PS, cito a sua declaração de princípios, “defende uma economia de bem-estar, aberta à pluralidade das iniciativas e das formas económicas privadas, públicas e sociais, e regulada pelo mercado e por instituições públicas adequadas”.

O PS, e volto a citar a sua declaração de princípios, “combate as desigualdades e discriminações fundadas em critérios de nascimento, sexo, orientação sexual, origem racial, fortuna, religião ou convicções, predisposição genética, ou quaisquer outras que não resultem da iniciativa e do mérito das pessoas, em condições de igualdade de direitos e oportunidades”.

O PS orgulha-se da sua história e tem no seu património político um papel singular e decisivo na defesa dos valores da liberdade, da democracia e na prossecução dos maiores avanços civilizacionais na sociedade portuguesa nos últimos 42 anos.

É este PS – um grande partido radicalmente democrático, progressista e plural – com que os portugueses podem contar. Sempre e em qualquer circunstância.

(in Jornal de Notícias)