Opinião: Palácio (finalmente) acabado


Mais de duzentos anos depois, um dos mais belos monumentos portugueses, o Palácio da Ajuda, vai finalmente ser concluído. O património de Lisboa e de todo o País vai ficar mais rico e a oferta cultural mais diversificada com a abertura ao público da exposição das Joias da Coroa e da Ourivesaria Real. Milhares de pessoas vão poder ver, ao vivo, um dos mais valiosos tesouros culturais do nosso país.

Foi projetado para ser um dos maiores palácios reais da Europa, mas Lisboa nunca chegou a conhecer mais de um terço do seu desenho original. Mesmo o edifício que vemos hoje, com os escombros à mostra na sua ala poente, é uma ferida aberta na calçada da Ajuda. Os avanços e recuos do Palácio da Ajuda contam-nos um pouco da nossa história. Depois de o terramoto de 1755 ter destruído o palácio real, a ordem foi construir em madeira a residência do monarca numa das zonas não atingidas, o Alto da Ajuda.

Assim foi, com pompa e luxo próprios de um império que recebia ouro e especiarias dos quatro cantos do mundo, até que um incêndio destruiu a Barraca Real, como ficou conhecida. Começam então, em 1795, as obras do Palácio da Ajuda. As Invasões Francesas, que levaram a família real a refugiar-se no Brasil, os sistemáticos problemas nas finanças e a guerra civil que assolou o País no século XIX foram parando as obras e levaram a que o desenho original nunca tivesse visto a luz do dia. No século XX, vários projetos foram avançados, mas nada saiu do papel.

O palácio, que acolheu a família real durante mais de um século, é o local certo para dar a conhecer aos lisboetas, e a todos os portugueses, a exposição permanente das Joias da Coroa e peças da Ourivesaria da Casa Real.

Dois séculos passados, uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Direção-Geral do Património e a Autoridade de Turismo de Lisboa vai concluir o Palácio da Ajuda. Com um custo de 15 milhões de euros, as obras deverão começar no segundo semestre de 2017 e terminar no final de 2018. Um projeto maioritariamente financiado pela taxa turística.

Depois da conversa das “taxas e taxinhas”, é justo dizer que uma medida, que não custa um cêntimo aos lisboetas, já fez mais pela cidade do que as críticas dos Velhos do Restelo. Os que nos dizem que nada pode ser feito para que tudo fique sempre na mesma. Inacabado.

Uma cidade para as pessoas

Esta semana assinala-se a Semana Europeia da Mobilidade. A qualidade de vida nas cidades é hoje, num mundo marcado pela poluição e pelo stress da vida moderna, um tema cada vez mais relevante. O recurso às ciclovias, aos transportes públicos ou à mobilidade dos peões já não é um exclusivo da Escandinávia.

Londres decidiu fechar à circulação automóvel a famosa Oxford Street. Em Paris, está em curso a pedonização da margem do rio Sena, e os Campos Elísios são apenas para os peões aos domingos.

Lisboa não foge a este movimento. Houve um tempo em que se dizia que a nossa capital era para os carros. Temos agora cada vez mais esplanadas, espaços verdes, praças, zonas cicláveis e espaços para correr.

As cidades têm de acompanhar as mudanças de estilo de vida dos cidadãos. Hoje vemos cada vez mais pessoas com uma vida ativa e preocupadas com a saúde, o ambiente e a sua qualidade de vida. Precisamos agora de melhorar a sério a oferta de transportes públicos. Desse ponto de vista, a devolução da gestão dos transportes públicos à cidade é um passo decisivo de que muito ouviremos falar nos próximos tempos. Fica a garantia.

Uma guerra sem fim à vista

Uma semana. Foi quanto durou a trégua anunciada como a “última hipótese para salvar uma Síria unida”. O ataque das forças de Assad (apoiadas pela Rússia) a uma coluna humanitária da ONU matou 20 pessoas e teve lugar no preciso momento em que os principais países discutiam uma solução para o gravíssimo conflito que varre a Síria e condena milhões à condição de refugiados sem pátria.

(in Correio da Manhã)