Opinião: A desgraça dos profetas


Decididamente, a vida está difícil para os profetas da desgraça. Já eles se entusiasmavam de novo, desta vez com a possibilidade de uma descida do rating de Portugal, quando o responsável pelos ratings soberanos da agência canadiana DBRS, em declarações feitas esta semana à Blomberg, veio despejar um autêntico balde de água gelada na fervura. Como explicou Fergus McCormirck, para serenar os ânimos mais exaltados, a “perspetiva estável” do rating atribuído à República Portuguesa, com notação positiva “de investimento”, é uma “indicação clara de que estamos confortáveis” (sic) com o atual nível de notação financeira do país. Resultado: a recomendação da DBRS para investir na dívida portuguesa mantém-se – e assim deverá permanecer na revisão prevista para outubro.

“Assim não há condições”, terão concluído os profetas caídos outra vez em desgraça. Com alguma razão. Afinal, desde que o PS se entendeu com os partidos à sua Esquerda, há já oito longos meses, que esses sábios incansáveis se têm dedicado a profetizar, com apreciável esforço e imaginação, toda a espécie de catástrofes – e não há meio de acertarem uma.
Certo é que o Governo de António Costa vai superando todas as provas. Os meses passam e, bem vistas as coisas, nem crises orçamentais, nem problemas com o PEC; nem Plano B, nem orçamento retificativo; nem sanções de Bruxelas, nem, agora, a baixa do rating.
Honra lhes seja feita, os profetas desgraçados não desarmam: de cada vez que se esfuma no ar uma das suas negras profecias, apressam-se a garantir que “da próxima é que vai ser!”.
Entretanto, esperam e desesperam.
E a caravana passa.

(in Jornal de Notícias)