home

Coligações negativas contra o Governo do PS seriam “traição ao eleitorado”

Coligações negativas contra o Governo do PS seriam “traição ao eleitorado”

No segundo dia do debate do Programa do Governo, que esta manhã decorreu na Assembleia da República, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, lembrou aos partidos à esquerda do PS que eventuais coligações negativas “seria uma traição ao eleitorado”.

Notícia publicada por:

Coligações negativas contra o Governo do PS seriam “traição ao eleitorado”

Intervindo hoje no Parlamento, no final de dois dias de debate do Programa do XXII Governo Constitucional, o ministro Augusto Santos Silva avisou os partidos à esquerda que não devem confundir “convergir” com “diluir diferenças”, recordando que “coligações negativas” só serão possíveis agora “juntando a direita e as forças à esquerda do PS”, o que na opinião do titular da pasta dos Negócios Estrangeiros constituiria “uma traição ao eleitorado”.

Para Santos Silva, será um enorme erro de análise se alguém pensar que o PS e o seu Governo querem retirar dos recentes resultados eleitorais uma ideia de que pretende “manobrar taticamente”, encontrando a cada momento os “equilíbrios necessários para a sobrevivência” do seu Executivo, reagindo conforme as necessidades ou as “oportunidades de cada ocasião”, garantindo, pelo contrário, que há agora “mais razões” para desenvolver o diálogo com o BE, PCP, PEV, PAN e Livre.

Ainda para o ministro Augusto Santos Silva, “convergir” não significa, em caso nenhum, “diluir, ignorar ou desvalorizar as diferenças”, como também não significa que se anulem as diferentes perspetivas sobre a política ou as “várias visões que cada um tem do mundo”, reconhecendo, contudo, que sendo impossível convergir em tudo, a lição que se tem de retirar “quando os parceiros dialogam sem reservas” é que as “parcerias e os resultados são obtidos”.

Depois de garantir, tal como o primeiro-ministro já o tinha feito, que o Executivo não se deixará condicionar por resultados eleitorais nas presidenciais, autárquicas ou regionais, o ministro assegurou que o Governo socialista “assegurará a continuidade da mudança iniciada em 2015 com rumo estratégico, sem temores nem oscilações ou hesitações”.

As diferenças são para se respeitar

Ainda com os olhos postos nos partidos à esquerda do PS, Santos Silva voltou a recordar que os socialistas nunca poderão abdicar da pertença de Portugal à zona euro, tendo a este propósito defendido que no programa de convergência “não basta distribuir”, sendo também necessário, como acrescentou, que se “crie riqueza com conhecimento, inovação e produtividade”.

Para Santos Silva, dar passos firmes na construção de uma Europa mais solidária não passa apenas por se “invocar o povo”, sendo também necessário mobilizar a cidadania e os agentes económicos por forma a que se “respeite o equilíbrio entre as instituições”, recorrendo à “concertação social, dinamizando a contratação coletiva e seguir uma linha de negociação, acordo e compromisso”.

Em relação aos partidos da direita, o ministro e dirigente socialista deixou o apelo para que repudiem a xenofobia e o “nacionalismo populista”, aconselhando os partidos do centro-direita, PSD e CDS, a não se deixarem arrastar pela lógica das “insinuações, dos ataques pessoais e dos casos e casinhos”, e de não caírem na tentação de seguir os passos e as propostas da extrema-direita.