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4 anos de ASD: Igualdade e Justiça Social

4 anos de ASD: Igualdade e Justiça Social

Um dos mais perigosos problemas enfrentados pelas democracias atuais é a crescente concentração da propriedade dos media. Nos EUA, por exemplo, 90% dos jornais, revistas, e estações de televisão e rádio são controlados por apenas seis empresas. Ou seja, seis conselhos de direção decidem o que os americanos vão saber do mundo – dos seus conflitos, eleições, desastres e tudo o resto. Será preciso dizer que todas estas empresas têm enormes conflitos de interesse em setores como a defesa e a agricultura?

Opinião de:

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Portugal também sofre desta concentração dos media. Por exemplo, a Impresa possui a SIC e seus canais subsidiários, além de 2 publicações, o Expresso e a Blitz. Considerando que o objetivo das empresas é assegurar aos seus executivos e acionistas a maior margem de lucros possível, não é surpresa que todas promovam uma visão neoliberal da sociedade. Repetidas vezes, demonstraram que estão empenhadas em enfraquecer os serviços públicos – na saúde, na educação e em todas as outras áreas. Os seus artigos sugerem – e os seus editoriais dizem – que, se criarmos uma elite riquíssima, e se aumentarmos o fosso entre esta elite e os mais carenciados, a classe média e os pobres acabarão por ver algum benefício. Foi demonstrado há 50 anos nos EUA que esta teoria de “trickle-down” (uma espécie de “efeito de cascata”) é uma fantasia que não tem nada a ver com a realidade, mas não digam isso em público ou os editores dos jornais e revistas escreverão editoriais alegando que quem diz isso não sabe nada sobre teoria económica e é um radical perigoso.

Em Portugal, o exemplo mais notório de uma cobertura distorcida para favorecer os interesses dos grupos mediáticos – pelo menos de que eu me lembre – tem a ver com a decisão do Ministério da Educação de limitar o financiamento das escolas privadas. Os protestos organizados pelos proprietários dos colégios privados foram destacados nas primeiras páginas de todos os diários, mas a cobertura da manifestação em massa de apoio ao Ministério da Educação em Lisboa, em junho de 2016, não mereceu mais do que alguns pequenos artigos nas páginas interiores.

Mas o que é que isso tem a ver com o aniversário do Acção Socialista Digital? Só isto: Precisamos desesperadamente em Portugal – e em todas as democracias ocidentais – de órgãos de comunicação que tentem apresentar uma perspectiva humanista sobre os eventos e temas mais importantes, que se proponham promover a igualdade e a justiça para todos, e que não se esquivem a criticar aqueles que desejariam enfraquecer as nossa democracias.

Nos últimos quatro anos, o Acção Socialista Digital, sob a liderança de Edite Estrela, fez um excelente trabalho ao informar os leitores sobre tópicos tão variados como os direitos LGBT, o desemprego, a dívida do país e a política científica. Eu mesmo escrevi sobre uma variedade de tópicos de um ponto de vista muito pessoal – tópicos que incluem a eutanásia e a eleição de Trump. Ao informar os leitores sobre temas que os grandes media evitam, e cobrindo outros de uma forma que revela uma preocupação genuína com a justiça social, o Acção Socialista Digital tem desempenhado um papel importante na promoção de valores humanísticos, solidariedade e compaixão. Dado o atual sucesso de movimentos proto-fascistas na Europa e nas Américas, e considerando a ressurgência da xenofobia e do racismo em muitas sociedades, acho que este esforço merece todo o nosso louvor e apoio.

Richard Zimler
Escritor