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A propósito das eleições no SPGL: Separar o trigo do joio

A propósito das eleições no SPGL: Separar o trigo do joio

Em 14 de Maio próximo vai-se decidir o futuro do SPGL, o maior e mais representativo sindicato de professores do país.

Opinião de:

A propósito das eleições no SPGL: Separar o trigo do joio

Em sucessivos atos eleitorais, têm sido eleitas, nos últimos anos, direções plurais, integrando essencialmente duas sensibilidades, uma das quais dinamizada maioritariamente por militantes socialistas.

Tais direcções sindicais têm conseguido criar uma dinâmica de democratização e uma prática sindical reivindicativa, que fazem do SPGL um caso ímpar no movimento sindical português e que viabilizaram e estiveram na base das grandes movimentações de Professores, que ocorreram nos últimos anos, designadamente as grandiosas manifestações de há 7 anos, que mobilizaram a maioria da classe e a levaram a obter importantes resultados com a greve às avaliações, em Julho de 2013.

Tal foi possível devido à metodologia aberta de que o SPGL e os nossos militantes foram os principais obreiros, quer a nível das bases nas escolas, quer da coordenação intersindical, quer na FENPROF, de que o SPGL é membro de pleno direito, quer na Plataforma Nacional de Sindicatos de Professores, que inclui sindicatos da CGTP, da UGT e independentes.     

Em 14 de Maio próximo, efectuar-se-ão eleições para os Corpos Gerentes do SPGL. Eleições que são de extrema importância, e nelas está a decorrer uma séria tentativa dos sindicalistas afetos à corrente sindical comunista de retomarem o controle do Sindicato, reintegrando-o no disciplinado sindicalismo “unitário”, em que as decisões importantes para os professores não são por eles tomadas. 

Neste momento a opção é clara: ou se dá o aprofundamento da Prática Democrática e Reivindicativa, que temos concretizado no SPGL, ou se dá um enorme retrocesso, com predominância de orientações que lhe virão do exterior.

Acreditamos que a prática sindical que temos protagonizado, além de mais correta, é a que serve melhor os interesses dos professores e da Escola Portuguesa.

O perigo de retrocesso no SPGL é tanto mais real, quanto a lista que nos é alternativa se reforçou com alguns militantes que integram a atual Direção, cujo projeto abandonaram, sem terem apresentado quaisquer discordâncias programáticas, mas tão-só questões de protagonismo na futura Direção a constituir.

É nossa convicção que a defesa dos interesses dos professores necessita de uma forte intervenção sindical, mas não passa por uma Direção Sindical submetida à orientação da corrente maioritária da CGTP, o que continua a ser verdade, apesar de a lista, no seu esforço de camuflagem, apresentar alguns candidatos que integram a actual Direção, inclusive o próprio candidato a Presidente.

Se é verdade que defender uma vida democrática para o SPGL, defender a unidade de todos os Professores, defender a eleição de Delegados Sindicais, são aspetos que integram o programa das duas listas concorrentes, e felizmente que assim é, é porém necessário saber distinguir duas listas que, em vários aspetos, propõem quase o mesmo. A diferença passa pela metodologia que usamos para atingir os resultados, a qual não se limita a fazer propostas, mas as baseia na procura das melhores soluções que discutimos com os professores para as concretizar. Disse “quase”, pois há aspetos que a Lista V não ousa referir, como seja, por exemplo, a firme recusa de qualquer manipulação político-partidária, o que a Lista A assume totalmente.

Um dado mais que se salienta, para que se perceba a orientação dominante na Lista V: no recentemente efetuado Congresso do SPGL foi apresentada uma moção em que se criticava a política de austeridade e empobrecimento do atual governo Passos Coelho / Portas. Quando parecia que tal moção seria aprovada por grande maioria, vários sindicalistas afetos à corrente comunista deram a conhecer, nas suas intervenções, a sua posição sobre a matéria: opunham-se e votariam contra a moção, se ela não expressasse inequivocamente, o mesmo nível de repúdio face ao governo Passos Coelho e a governos do PS, o que efetivamente veio a suceder: 

A vitória desta orientação político-sindical significaria que o SPGL corria o risco de passar a ser uma base para uma politica de oposição cega a um eventual governo do PS, mesmo que contraditoriamente com a vontade dos Professores e com os seus interesses.

Só é de estranhar que haja socialistas que pareçam não compreender o que está em causa e tenham com a sua presença avalizado esta política. Mas estamos certos de que a generalidade da classe não se deixará confundir.