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A DESORDEM

A DESORDEM

A desordem no mundo avança como uma mancha imparável, enquanto os países e grupos de todo o tipo vão gerindo os seus interesses sempre virados para o seu umbigo, afirmando posições e assumindo confrontos com convicções inabaláveis, indiferentes às consequências.

Opinião de:

A DESORDEM

Não há continente que escape ileso à desordem que atualmente reina no mundo, num irreprimível efeito borboleta causado pelo avanço do terrorismo, pelas consequências das crises financeiras ou pelas revelações escandalosas dos “Documentos do Panamá”. Daqui vão nascendo ruturas, confrontos, instabilidade, novos extremismos.

A Europa está desfigurada e enfraquecida por falta de visão e de iniciativa, assistindo serena às derivas autoritárias de países como a Hungria ou a Polónia, em confronto permanente com os direitos fundamentais e os princípios fundadores do projeto europeu.

A crise dos refugiados mostra à luz do dia a falta de solidariedade europeia, cria dissensões e provoca instabilidade na Europa, indecentemente e perigosamente aproveitada por partidos de extrema-direita, populistas, xenófobos ou nacionalistas. Caminhamos de novo para uma era de extremismos.

E neste universo sombrio podemos sublinhar esse gesto luminoso do Primeiro-Ministro António Costa que, um pouco contra a corrente, foi à Grécia demonstrar a solidariedade que tem faltado à Europa na crise e no drama dos refugiados. “São bem-vindos a Portugal”, disse.

Entretanto, a loucura dos referendos na Europa vai fazendo o seu caminho, erodindo a coesão europeia e contribuindo para a desintegração progressiva do projeto europeu. Seja com as tentativas em Espanha nas autonomias, seja a situação absurda que se criou com a possibilidade real dos britânicos saírem da União Europeia, seja o inacreditável e surpreendente referendo realizado no Holanda sobre a ratificação do Acordo de Associação UE-Ucrânia.

Num mundo em que vale tudo, o pior pode sempre acontecer….

A queda dos preços do petróleo lançou o caos em países que nunca souberam aproveitar os tempos de bonança para fazer reformas, diversificar a economia e criar mais justiça social. É o caso de Angola ou da Venezuela, que agora passam por situações de grandes dificuldades. Enquanto Angola é obrigada a recorrer ao FMI, na Venezuela a instabilidade política e a escassez de produtos alimentares básicos e de medicamentos geram diariamente filas gigantescas em lojas e supermercados e uma inquietação insuportável na espera de melhores dias.

E nestes dois países milhares de portugueses são também brutalmente atingidos, deixam de receber salários, fecham empresas e caem também numa angústia impossível de esconder.

A confusão política no Brasil, os casos de justiça e a recessão económica fazem sentir as suas ondas de choque por toda a América Latina. Um país irmão no fio da navalha.

Na Síria, dizem os jornais, continuam a ser utilizadas armas químicas, mas a confusão generalizada é tanta e os interesses instalados tão obscuros, que já ninguém tem energia para fazer parar essa ignomínia contra a humanidade.

E depois há esse manancial de podridão global chamado “Documentos do Panamá”, que afeta quase todos os países sem exceção e até já levou à demissão do Primeiro-Ministro da virtuosa Islândia.

Em vez de estarmos unidos, para combater as guerras, a fome, a pobreza e as injustiças, e assim contribuir para um mundo melhor, estamos todos uns contra os outros, a chafurdar na espuma dos dias. A desordem parece difícil de controlar. O mundo está mesmo muito perigoso.