Costa defende valorização da ciência por instituições, empresas e famílias


António Costa realçou hoje a valorização da ciência, pelas instituições públicas, empresas e famílias, decisiva para o desenvolvimento e competitividade do país e apelou ao diálogo para resolver divergências, nomeadamente sobre vínculos laborais no setor.

“Só apostando na inovação teremos sustentavelmente uma década de desenvolvimento e de convergência e essa política de inovação carece de investimento na ciência, na cultura, na educação em todos os seus graus e carece de investimento continuado ao longo de toda a vida”, afirmou António Costa.

É para esse desafio que “temos de sentir-nos todos mobilizados, famílias, empresas, instituições de ensino superior, instituições científicas, o conjunto da sociedade portuguesa, pois só valorizando coletivamente a ciência conseguiremos responder positivamente àquilo que são os grandes desafios” atuais.

O primeiro-ministro falava no Encontro Ciência 2018, que está a decorrer em Lisboa e junta cientistas, instituições e empresas no debate da situação e novos desafios da ciência e tecnologia em Portugal, promovido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) em colaboração com a Ciência Viva.

Para uma sala de cientistas, o primeiro-ministro defendeu que só há uma forma de resolver o problema da situação laboral de muitos investigadores na ciência e “é procurar aumentar e insistir no alargamento dos mecanismos e do estímulo ao emprego científico” e lembrou a meta de ter, até final da legislatura, cinco mil lugares de emprego científico, dos quais três mil ainda em 2018.

Listou três mecanismos para tentar ultrapassar os problemas, um deles o conjunto de concursos abertos nas instituições de ensino superior, com apoio dos contratos programa assinados pela FCT, até agosto, para bolseiros com doutoramento há mais de três anos, estando já sinalizados 1.894 casos nestas condições e 502 concursos abertos.

Os concursos da FCT são outra possibilidade, institucionais – para 400 contratos – e individuais, cuja avaliação se inicia a 29 de julho, com 500 lugares a concurso e 4.228 unidades para esses lugares.

Recorrendo à imagem de “endireitar a sombra de uma vara torta”, apontou que “há situações onde a vara está torta e que se tem procurado resolver através de um mecanismo especial criado pelo Orçamento de Estado que é o PREVPAP [Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública], mas não é fácil, porque situações muito diversas se encontram em confrontação e onde as posições nem sempre são coincidentes”.