PS quer levar problemas do interior para plano político


O presidente da bancada parlamentar do PS explicou hoje que as visitas que os deputados socialistas estão a realizar nos distritos de Évora e Beja servem para aprender mais sobre o interior do país, com o objetivo de “verter para o plano político, para o plano orçamental e para o plano da ação governativa o conhecimento adquirido”.

“Esta nossa visita serve para nós aprendermos, mas também de nada serviria se não fizéssemos nada depois. Por isso, tentaremos verter para o plano político, para o plano orçamental e para o plano da ação governativa o conhecimento adquirido”, declarou Carlos César no final de uma visita à sede da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva”, em Beja, no âmbito das Jornadas Parlamentares do PS.

O líder parlamentar socialista defendeu que existe uma conjuntura política favorável a um consenso alargado em torno de temas como o combate às assimetrias regionais. “Tivemos fases da nossa vida política em que essas preocupações não foram muito relevantes, mas creio que hoje a sociedade política portuguesa está muito mobilizada para estes novos temas – temas que relacionam as questões do interior com os problemas decorrentes das alterações climáticas”, afirmou.

Carlos César revelou que a escolha do Alentejo para as Jornadas Parlamentares demonstra a preocupação dos socialistas com os “dois terços do território nacional que se encontra distante dos efeitos da litoralização e que carece de políticas de valorização”.

“Cada região do país tem a sua tipicidade, os seus desafios e recursos próprios, mas é importante que em áreas como o Alentejo, através de projetos estruturantes como o Alqueva, seja possível mudar a paisagem natural e económica”, alertou, acrescentando que “o empreendimento do Alqueva corresponde a um investimento de visão de longo prazo, onde se investiu mais de 2,4 mil milhões de euros”.

O presidente do Grupo Parlamentar do PS destacou ainda que está em curso um investimento na ordem dos 300 milhões de euros para a expansão do regadio com mais 40% da área abrangida. “Isso significa que, da parte do Estado, há um comprometimento com essas políticas. Sabemos que lutamos contra uma tendência natural de concentração das economias, sabemos que a economia é mais vitalizada nas áreas com maior escala – é essa a regra natural do comportamento económico -, mas é importante contrariar essas tendências”, sublinhou.

Em declarações aos jornalistas, Carlos César admitiu que “não é possível uma revolução demográfica transformando o interior numa região populosa como o litoral, mas importa lutar contra essa tendência que pervertem uma distribuição racional do desenvolvimento”.

 

Carlos César defende descentralização de competências para municípios

O também presidente do Partido Socialista alertou que “estas regiões do interior não podem ser zonas de passagem para grandes mercados ibéricos, devendo antes assumir-se como regiões de produção, de fixação e de diferenciação. O país há muito que tem este problema e há muito que procura ultrapassá-lo”.

Falando aos jornalistas ao lado do presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio, Carlos César defendeu a importância da descentralização de competências para os municípios.

“As administrações locais – e havendo as regionais – devem estar dotadas de novas competências para responderem aos novos desafios”, sustentou.

 

Eletrificação da linha férrea entre Beja e Casa Branca arrancará este ano

Carlos César também esteve reunido com o movimento cívico ‘Beja Merece Mais’, para ficar a par das reivindicações destes cidadãos para o distrito.

O líder parlamentar do PS defendeu que o Governo estará em condições para lançar o concurso para a eletrificação da linha férrea entre Beja e Casa Branca “ainda este ano”.

“Não tenho dúvidas de que o Grupo Parlamentar do PS estará envolvido na inclusão desse projeto no Plano Nacional de Investimentos, que está a ser prefigurado para o novo quadro financeiro plurianual. Essa é uma obra que terá o seu começo, que será certamente finalizada e que estimo que, se tudo correr bem este ano e no próximo, o PS também tenha a honra de ser pioneiro, fazendo-a arrancar”, declarou.

Relativamente aos planos para a dinamização do aeroporto de Beja, outra exigência do movimento, Carlos César explicou que “quando este Governo iniciou funções havia uma paralisia completa”. “Hoje percebi que começam a ser vitalizadas um conjunto de valências que tonarão o aeroporto mais eficaz do ponto de vista da assistência aeronáutica, ou da oficina aeronáutica”, apontou.

O presidente da bancada socialista reforçou que o seu grupo parlamentar viajou até aos distritos de Beja e Évora “para falar com os alentejanos, com as instituições alentejanas para conhecer diretamente”. E afirmou que o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, estará na terça-feira nas Jornadas Parlamentares “porque é um alentejano de carne e osso”.