Deputados socialistas observaram que o processo foi livre e equilibrado mas a campanha foi centrada num candidato


Os deputados socialistas Edite Estrela e José Miguel Medeiros, que integraram as delegações de observação das eleições na Turquia no dia 24 de junho, corroboram a conclusão dos observadores internacionais de que os eleitores turcos tiveram uma escolha genuína nas primeiras eleições simultâneas para a presidência e o parlamento turcos, mas as condições para a campanha não foram iguais, com o presidente e o partido do Governo a desfrutar de uma vantagem indevida, inclusive na cobertura excessiva por meios de comunicação públicos e privados ligados ao governo.

In Acção Socialista Digital

Edite Estrela e José Miguel Medeiros integraram as delegações do Conselho da Europa e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), respetivamente, de observadores internacionais do processo eleitoral na Turquia, que resultou na reeleição do presidente turco, Recep Erdogan, com poderes reforçados pela obtenção da maioria dos votos para o Parlamento do partido que lidera, o AKP.

Apesar das acusações de fraude e das dúvidas da oposição sobre os resultados eleitorais, os parlamentares socialistas registaram a elevada participação de votantes, na ordem dos 88%, congratulando-se com a eleição do maior número de mulheres de sempre naquele país (17%).

No terreno, na cidade de Esmirna, com 4,3 milhões de habitantes, para onde foram ambos destacados como observadores, os deputados portugueses verificaram que o processo eleitoral decorreu em liberdade e com correção, sublinhando a boa receção das equipas de observadores, sem qualquer restrição ou animosidade.

“Do que pudemos ver e ouvir, o processo eleitoral foi tecnicamente livre e equitativo, mas a campanha não, uma vez que, segundo as ONG, a cobertura mediática foi totalmente desproporcional a favor do presidente e do seu partido, que também dispôs de recursos materiais muito superiores. Basta dizer que um dos candidatos presidenciais estava (e está) preso”, realçam os parlamentares socialistas.

Edite Estrela, que integrou com cerca de 30 deputados dos diferentes grupos políticos a delegação de observadores do Conselho da Europa, fazendo equipa com a senadora francesa Maryvonne Blondin, também do grupo socialista, relata os procedimentos do trabalho dos observadores: “Todas as equipas foram primeiro para Ancara, onde durante todo o dia de sexta feira decorreram as reuniões preparatórias e encontros com a comunicação social “livre e progressista”, com representantes da sociedade civil, designadamente ONG, e com representantes dos partidos e dos candidatos presidenciais”.

No sábado, cada equipa partiu para o seu posto de observação em várias regiões da Turquia, seguindo o grupo de Edite Estrela para Esmirna, na costa do Mar Egeu, a terceira cidade mais populosa da Turquia, com 4,3 milhões de habitantes e 3,3 milhões de eleitores, e onde em 2015 ganharam os partidos da oposição.

A deputada socialista relata ainda que o trabalho de observação se iniciou por volta das 07h15, antes da abertura das urnas, decorrendo a votação entre as 08h00 e as 17h00, para assistir à preparação e abertura da mesa de voto e verificar se todos os procedimentos tinham sido cumpridos.

A sua equipa iniciou o trabalho em duas escolas no centro de Esmirna, de onde seguiram para Selçuk, localidade a 80 km, onde acompanharam o processo eleitoral numa escola, registando a particularidade de as mesas de voto serem constituídas esmagadoramente por homens, ao contrário do que tinham verificado nas mesas do centro de cidade em que a representação era equilibrada e havia mulheres como presidentes da mesa.

De regresso a Esmirna para o fecho das urnas, a equipa de Edite Estrela acompanhou os resultados do processo eleitoral, “moroso mas transparente”, numa escola de Konac.

No apuramento dos resultados, sobre cada mesa de voto observada os delegados internacionais preenchiam um formulário que entregavam depois à equipa técnica de coordenação das delegações do Conselho da Europa e da OSCE que estavam instaladas num hotel do centro da cidade.

Os observadores portugueses notaram como curiosidade que no dia das eleições em lado algum eram vendidas bebidas alcoólicas, nem mesmo nos hotéis.